segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Enquanto a berlinda passava

berlinda.jpg

Deixei para falar de Círio de Nazaré no final da festa, contrariando até amigos que me questionaram se ia ou não publicar uma matéria sobre a procissão, porque festa é boa no final. Muito bem, eis ela.

15 dias depois da procissão, as imagens ainda continuam vivas na memória, principalmente porque ela foram vistas no Círio, uma festa que por vocação é religiosa.

Logo cedo, na Boulevard Castilhos França, os promesseiros se preparavam para guardar o lugar na corda. Até aí tudo normal, o problema foi quando um rapaz, que aparentava ter seus 27 anos, chegou com uma garrafa de cerveja na mão dizendo: “pêra aí, essa parte da corda aqui é minha, ninguém toca nela não”. O cara disse isso bem perto de mim, eu devo ter tomado uns três copos de cerveja só nessa frase dele. Cambaleante ele sentou no chão e começou a chorar (quem bebe se arrepende dos pecados), pelo menos ela estava no lugar certo para rezar.

Depois que cheguei perto do altar, onde acontecia a missa, encontrei com uma turma de velhos amigos jornalistas, como sempre, conversamos e nem prestamos atenção na missa.
Quando Dom Orani (Arcebispo de Belém) levou a imagem para a berlinda, começou o corre-corre da imprensa, uns para tentar uma entrevista ao vivo ou um depoimento e outros para se posicionarem dentro do isolamento dos guardas, aí que foi o problema. Os guardas não liberaram a entrada, a procissão saiu sem que os jornalistas estivessem dentro do isolamento principal.

box-corda.jpg

Os primeiros duzentos metros de procissão foram rápidos, mas sem dúvida, foram os mais apertados da minha vida. Imaginem a cena: eu deste tamanho minúsculo sendo suspenso do chão e carregado. Entre os empurrões era comum se ouvir: “aí meu pé c....... ou então, eu vou morrer p.......... Quando não eram os jornalistas reclamando, eram os homens do exército que diziam: “empurra essa p......... se não vai f........ com a procissão”.

Bem perto do ver-o-peso uma cena mais que inusitada. Uma repórter fotográfica tentou entrar na área de isolamento, mas um guarda da santa impediu a passagem, pra quê? A mulher começou a gritar, se descabelou, quase esfrega o crachá na cara do guarda e ele não deixou. Nessa hora, os guardas aceleraram o passo e a fotografa tentou, num ato desesperado, entrar no isolamento, sem sucesso novamente. Diante da situação, ela incorporou o espírito Mick Tyson e começou a morder o braço do guarda, fiquei tão leso que nem me mexi. O guarda-vítima não podia fazer nada porque estava com os braços dados com os outros guardas. Eis que surge um guarda que estava perto da berlinda e gritou: “Deixa ela passar, é da imprensa”, pronto, abriram as comportas do céu. Mas a história não acabou aí. Depois, não satisfeita com o acesso, correu até as costas do guarda que a barrou e “deferiu” (profundo) um soco (se valendo das mãos dele estarem inutilizadas, no momento, para uma reação), fez até barulho. Tudo isso sob os olhos da padroeira.

box-arvore.jpg

Na Avenida Presidente Vargas, um vendedor de cerveja gritava: “olha a cerveja, geladinha e hoje vem até com a benção da santa. É pra levar”. Fui falar com ele a respeito da lei seca que estava vigorando por conta do círio, pontualmente me respondeu o seguinte: “as pessoas tão mais bebendo do que rezando”, pronto, foi o suficiente para eu seguir meu caminho.
Por fim, o brega rolava solto nas esquinas por onde a procissão passava, as músicas eram as idéias para a ocasião: “quem vai querer a minha piriquita?”, “chupa safadinha, mete o pau e mete a máquina”.

É, na festa do Círio de Nazaré são mais de dois milhões de pessoas, mas muitas delas em festas paralelas e tudo acontecia enquanto a berlinda passava.

5 comentários:

Anônimo disse...

O dia do Círio é muito legal. Tão bom quanto o almoço é acompanhar a procissão e as coisas que rolam nos arredores.

Anônimo disse...

Comentário:
Cara, em meio a tantas situações comédia. Lembrei-me de uma que até hoje me espoco de rir, quando lembro!
Ano passado, fui ver a Passagem da Imagem na Pres. Vargas, durante a Trasladação. Estava um sufoco horrendo, sentia-me pior do que uma sardinha enlatada. Lá vinha a Berlinda chegando e um abençoado filho de Deus soltou flatulência! Isso mesmo, o ou a infeliz soltou um "pum" em meio aquela multidão.... Cara, naquele instante ninguém lembrava nem sequer rezar uma Ave Maria, só o que faziam era xingar quem fez aquilo de todas as formas... "Desgraçado!", "O prato é pato no Tucupí e não Urubu feito na Chicória", "Filho da p...", "Não vamo espremer ninguém que já tem pessoal se borrando".
Nesse momento, rindo das coisas que o povo gritava, olhei para frente e Berlinda com a Imagem estava a 2 m a minha frente, o silêncio se fez presente e foi superado por muitas palmas (por questões de segundos o povo esqueceu do acontecido) e clamores... E lá vai a Berlinda rumo a Sé, já distante e todo mundo emocionado, voltaram as reclamações do povo, era mais quem queria saber que tinha soltado aquele odor d...
Vois sois o Lírio mimoso...

Anônimo disse...

Cara, em meio a tantas situações comédia. Lembrei-me de uma que até hoje me espoco de rir, quando lembro!
Ano passado, fui ver a Passagem da Imagem na Pres. Vargas, durante a Trasladação. Estava um sufoco horrendo, sentia-me pior do que uma sardinha enlatada. Lá vinha a Berlinda chegando e um abençoado filho de Deus soltou flatulência! Isso mesmo, o ou a infeliz soltou um "pum" em meio aquela multidão.... Cara, naquele instante ninguém lembrava nem sequer rezar uma Ave Maria, só o que faziam era xingar quem fez aquilo de todas as formas... "Desgraçado!", "O prato é pato no Tucupí e não Urubu feito na Chicória", "Filho da p...", "Não vamo espremer ninguém que já tem pessoal se borrando".
Nesse momento, rindo das coisas que o povo gritava, olhei para frente e Berlinda com a Imagem estava a 2 m a minha frente, o silêncio se fez presente e foi superado por muitas palmas (por questões de segundos o povo esqueceu do acontecido) e clamores... E lá vai a Berlinda rumo a Sé, já distante e todo mundo emocionado, voltaram as reclamações do povo, era mais quem queria saber que tinha soltado aquele odor d...
Vois sois o Lírio mimoso...

Lulu Di Lima disse...

Quem te viu quem te vê...

Unknown disse...

Ah jura q precisa comentar??
PERFEITO ne André? Como sempre(adorei o bêbado!)